domingo, 8 de abril de 2012

Animals

Animals
Pink Floyd
Progressive Rock, 1977


10º trabalho de estúdio dos Pink Floyd, Animals é um álbum conceptual, com uma crítica politico-social das condições que se viviam na década de 70, nomeadamente ao sistema capitalista. Imaginado por Waters, este atribuiu diferentes animais a várias classes sociais: os cães eram os homens de negócios sem escrúpulos, os porcos correspondiam às pessoas mais ricas e poderosas, que segundo Waters controlam e manipulam o resto da sociedade, e as ovelhas personalizam as pessoas que não se questionam sobre nada e seguem apenas a manada, sendo controladas pelos estratos sociais mais poderosos.

O álbum começa com a parte 1 de uma simples canção de amor acústica com pouco mais de 1 minuto (Pigs on the Wing), e começa depois a crítica social, com músicas com mais de 10 minutos, progressivas e bastante sombrias, apesar de Sheep, a última canção, terminar com acordes gloriosos, em acordo com o facto de no final as ovelhas se erguerem sobre os cães. Termina com a segunda parte 2 de Pigs on the Wing. Este contraste é uma ideia fantástica da mente brilhante de Waters.

Este álbum é um dos melhores dos Pink Floyd: musicalmente bem construído, com um conceito forte e relevante. Peca apenas por lhe faltar um lado mais... humano!

Melhores temas: Dogs, Pigs, Sheep

Classificação: B+

Rank: #5

sábado, 31 de março de 2012

Endtroducing

Endtroducing
DJ Shadow
Instrumental Hip Hop, 1996


Álbum de estreia do americano DJ Shadow, tendo como pedra filosofal criar um álbum usando apenas e só samples, recorrendo à sua Akai MPC60.

Usando um espectro enorme de géneros, com muito Jazz e Funk, pedindo emprestados troços de outros artistas de Hip Hop, passando por elementos mas psicadélicos ou uso de violino, violoncelo, harpas, até recorrendo a nomes famosos do Rock e Metal (Nirvana, Metallica, T-Rex) e com repetidos diálogos de filmes ou séries televisivas, a lista é infindável.

A panóplia de samples usadas - todas escolhidas a dedo - criam um som extremamente denso, que faz o ouvinte perder-se na riqueza musical. O groove dos temas faz parecer quase impossível que seja feito por um processo de "cortar e colar", Shadow eleva a criação por via de samplagem a uma forma de arte. Este álbum é uma verdadeira obra-prima no que toca ao Hip Hop. E fortemente aconselhado para quem acha que samplar não exige talento. Mágico.

Melhores temas: Midnight in a Perfect World, Changelling, Organ Donor
What Does Your Soul Looks Like (Part 4)

Classificação: B+

Rank: #6

domingo, 18 de março de 2012

The Velvet Underground & Nico

The Velvet Underground & Nico
The Velvet Underground
Experimental Rock, 1967


Este álbum é um verdadeiro teste ao conceito de beleza. Quando ouvimos os álbuns dos contemporâneos Pink Floyd e Beatles tudo parece estar perfeitamente sincopado e trabalhado, mesmo as músicas mais experimentais e distorcidas são bem "polidas". Velvet Underground & Nico é muito mais simples e puro: a guitarra a alterna entre duas ou três notas com um reverb manhoso, a viola de arco a repete em loop um slide, a percurssão é inconstante e invulgar e nem sequer a voz é propriamente cristalina. Contudo, a mistura dos elementos todos tem um resultado estrondoso e transcendente.

Em relação às 11 faixas, dividem-se facilmente em largos termos: 2 jams distorcidas de Protopunk, 4 canções Pop-Rock catchy, 2 experimentações alienadas e ruidosas e 3 verdadeiras obras obscuras, oscilando entre o psicadelismo e o surrealismo. As letras niilisticas, sem tabus, sobre abuso de drogas, sadomasoquismo ou simplesmente sobre a decadência da época que se vivia, têm excelentes momentos, apresentando Lou Reed como um songwriter fora-de-série.

Este álbum influênciou muitos artistas que surgiram pouco tempo depois: Bowie, Stooges, Roxy Music. Segundo Brian Eno, na altura, toda a gente que ouvia o álbum queria começar uma banda. Talvez tenha sido a simplicidade com que os Velvet Underground conseguiam fazer boa música. A verdade é que na música tudo o que importa é sobre despoletar emoções. E este álbum causa arrepios na espinha como poucos outros.

Melhores temas: Heroin, All Tomorrow's Parties, Venus in Furs
I'm Waiting for the Man, Sunday Morning

Classificação: A+

Rank: #2

sábado, 17 de março de 2012

Here Come the Warm Jets

Here Come the Warm Jets
Brian Eno
Art Rock, 1974


Se há característica que defina este álbum é a diversificação: não há duas músicas que se assemelhem. As oscilações são desenfreadas, entre o ritmo upbeat alegre e melodias piano-driven mais tristes, a guitarra entra em várias faixas, com riffs e solos distorcidos ou só a fazer ruído. Para além disso, Eno parece conseguir arranjar sempre maneira de introduzir uma secção de cordas ou de sopro, para além de dar amplo uso aos sintetizadores. Tudo somado, temos um som rico e denso.

Em termos de letras, a grande maioria não tem grande sentido e o próprio artista afirma para não tentarem fazer grande interpretação do liricismo, sendo por vezes só um complemento à parte instrumental. Estas letras alienadas coadunam-se com a voz de Eno, tantas vezes psicótica, apesar de também saber ser melodiosa quando se revela necessário.

Em suma, o álbum não tem nenhuma sequência lógica nem parece ter um fio condutor - talvez seja esse mesmo o fio condutor. O resultado? Um álbum repleto de boas canções.

Melhores temas: Here Come the Warm Jets, On Some Faraway Beach
Needle in the Camel's Eye, Baby's On Fire

Classificação: B-

Rank: #11

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sticky Fingers

Sticky Fingers
The Rolling Stones
Rock, 1971


Considerado um dos melhores trabalhos das dezenas de álbuns da aclamada banda britânica, Sticky Fingers é um verdadeiro manual de Rock & Roll. Tem riffs lendários e refrões poderosos; tem algumas das melhores baladas acústicas alguma vez criadas; tem Blues, tem Folk, tem solos magníficos de guitarra, saxofone e até de órgão.

Nota-se à milha a influência que este álbum teve em incontáveis bandas posteriores aos Stones. E pouco mais fica por dizer, o melhor é mesmo ouvir - obrigatório para quem gosta de Rock, e um verdadeiro marco na história do mesmo.

Melhores temas: Can't You Hear Me Knocking, Wild Horses, Brown Sugar,
Sister Morphine, Dead Flowers

Classificação: B+

Rank: #7

sábado, 10 de março de 2012

The Queen is Dead

The Queen Is Dead
The Smiths
Alternative Rock, 1986


The Queen Is Dead é o 3º álbum dos britânicos The Smith, resultado, em grande parte, da parceria Morrissey-Marr, respectivamente o vocalista e guitarrista da banda. Ambos escreveram e compuseram todas as canções do álbum e complementam-se: Marr tem a capacidade de compor canções "popescas", que facilmente se colam ao ouvido, e Morrissey tem um dom único para o liricismo, ora cínico ora acizentado, com verdadeiras tiradas de génio. Ainda mais impressionante são as melodias vocais, extremamente ricas e singulares. Por fim, a secção de ritmo é (mais que) competente, o que se pede para acompanhar os génios.

Poucos álbuns na história têm esta qualidade, não é por acaso que os Smiths são amplamente considerados uma das bandas mais influentes de sempre. The Queen is Dead é capaz de despoletar inúmeras sensações do infinito espectro de emoções. Brilhante.

Melhores temas: I Know It's Over, There's a Light That Never Goes Out
Bigmouth Strikes Again, The Boy With the Torn in His Side

Classificação: A-

Rank: #4

terça-feira, 6 de março de 2012

Fun House

Fun House
The Stooges
Hard Rock, 1970


O segundo álbum dos Stooges é sem dúvida uma obra invulgar, com duas faces. Tidos como precursores do Punk, apresentam-nos na primeira metade uma fantástica colecção de riffs agressivos e rápidos, com o baixo e a bateria sempre a "rasgar" e a voz estridente de Iggy Pop a assentar que nem uma luva. Na segunda metade, todos os temas têm 5-7 minutos, ora com um tempo mais lento e uma linha de baixo groovy, ora com solos de saxofone jazzy sobre um riff sujo e Iggy a gritar "I feel alright!", que por mais estranho que pareça, acaba por ser uma combinação deliciosa.

É de salientar o facto dos elementos da banda dominarem perfeitamente os seus instrumentos, sendo possível notar as influências no Blues Rock clássico, e ainda assim optarem por um som mais directo, o que acabou por se traduzir num resultado fantástico - sabiam o que faziam e faziam o que queriam. Em suma, é um excelente álbum: cru e explosivo, um verdadeiro soco no estômago.

Melhores temas: Dirt, Loose, 1970, Fun House

Classificação: B

Rank: #9